Senadores dizem que Mais Médicos deve ser aprovado sem dificuldades Na Câmara, texto sofreu obstruçã
Publicado em 14/10/2013
Fonte: Do G1, em Brasilia
Autor: Felipe Néri e Nathalia Passarinho
Lderes do Senado consultados pelo G1 preveem que a medida provisria que criou o programa Mais Mdicos deve ser aprovada na prxima quarta-feira (16) sem maiores dificuldades.
Na Cmara, a MP foi aprovada em duas sesses arrastadas na tera (8) e na quarta (9). Alm de obstruo de parlamentares da oposio e da bancada ruralista, o texto passou depois de sofrer alteraes.
Segundo os lderes da base aliada e da oposio, o embate ocorrido entre deputados, com uma votao que entrou pela madrugada e durou mais de sete horas, no deve se repetir no plenrio do Senado.
a matria obviamente ter debate, discusso, mas acho que ela est bem mais pacificada\"
Eduardo Braga (PMDB-AM),
lder do governo
Segundo o lder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), a retirada na Cmara de artigo que previa a criao do Frum Nacional de Ordenao de Recursos Humanos na Sade facilitar a anlise da MP. A excluso do artigo era uma reivindicao do Conselho Federal de Medicina. O Frum teria o objetivo de propor as diretrizes da profisso.
Acho que a grande reivindicao dos senadores, que era a retirada do captulo 5, que criava o Frum Nacional, foi feita na Cmara. Portanto, creio que, com essa retirada, a matria obviamente ter debate, discusso, mas acho que ela est bem mais pacificada. Isso facilitar a votao, afirmou ao G1.
O lder do DEM no Senado, senador Jos Agripino Maia (RN), disse que vai tentar, por meio de destaque, excluir trecho da MP que d ao Ministrio da Sade autorizao para emitir registro de atuao provisria a mdicos estrangeiros, dispositivo inserido na comisso especial.
No estamos contra a medida, mas acreditamos que preciso aperfeioar.\"
Jos Agripino Maia (RN),
lder do DEM
No achamos certo dar ao governo uma prerrogativa que dos conselhos de medicina, que a concesso dos registros de atuao, afirmou.
No entanto, o senador destacou que o partido no vai dificultar a votao da matria e no contrrio ao programa Mais Mdicos.
O programa acrescenta um pouquinho rea da sade no pas. Vamos buscar aperfeioar, mas vamos votar. No uma questo intransponvel para ns, mas vamos deixar claro que essa MP no a soluo dos problemas da sade. No estamos contra a medida, mas acreditamos que preciso aperfeioar.\"
Na Cmara, o DEM, liderado pelo deputado Ronaldo Caiado (GO), foi o partido que mais dificultou a votao da medida provisria. Por meio de reiterados requerimentos que pediam a retirada de pauta da proposta, a sigla conseguiu arrastar a votao do texto-base por mais de sete horas na ltima tera-feira (8). A anlise dos destaques e emendas (propostas de alterao do texto) s foi concluda na noite de quarta (9).
Ningum contra a presena de mdicos, desde que sejam qualificados.\"
Aloysio Nunes Ferreira (SP),
lder do PSDB
O lder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira (SP), disse que a oposio no pretende obstruir a votao, mas vai avaliar se h necessidade de modificao de trechos da medida provisria.
No vamos fazer obstruo. Vamos votar e medida e batalhar para modificar o que deve ser modificado. Ningum contra a presena de mdicos, desde que sejam qualificados. Agora, a questo da sade no se resolve s trazendo mdicos do exterior, disse.
O lder do Bloco Parlamentar da Maioria no Senado, Euncio Oliveira (PMDB-CE), que se reuniu com a presidente Dilma Roussef para discutir a MP, disse que outro fator que facilitar a aprovao da medida o entendimento feito com o governo para o Congresso aprovar a Proposta de Emenda Constituio (PEC) do Oramento Impositivo.
Aprovada na Comisso de Constituio e Justia na ltima quarta, a PEC cria meios para o financiamento fixo da sade e tem o aval da Presidncia da Repblica.
Como h entendimento para o governo colocar mais recurso na sade, no temos motivo para no aprovar a MP do Mais Mdicos, afirmou o lder. Como disse a presidente, jamais se imaginou que uma MP editada em julho j fosse aprovado agora, completou. O prazo para a aprovao da MP acaba em novembro.
A PEC do Oramento Impositivo, que ainda ser analisada no plenrio do Senado, estabelece que metade das emendas parlamentares individuais deve ser destinada sade. Alm disso, o texto determina que 15% da Receita Corrente Lquida da Unio deve ser aplicada na rea at 2018.
O programa
Lanado em 8 de junho deste ano pela presidente Dilma Rousseff, o programa Mais Mdicos tem o objetivo de aumentar o nmero de mdicos atuantes na rede pblica de sade em regies carentes.
A proposta permite a vinda de profissionais estrangeiros ou de brasileiros que se formaram no exterior sem a necessidade de revalidao do diploma. Os profissionais recebero uma bolsa mensal de R$ 10 mil, mas no tero direito a direitos trabalhistas, como frias, 13 salrio ou contribuio para o Fundo de Garantia por Tempo de Servio.
O programa tambm prev a obrigatoriedade de estudantes de medicina atuarem por dois anos no Sistema nico de Sade. O perodo valer como parte da residncia mdica.
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