Após 20 meses, juro básico deve voltar a dois dígitos nesta semana Previsão do mercado é que a taxa
Publicado em 25/11/2013
Fonte: G1 de Brasilia
Autor: Alexandro Martello
A taxa bsica de juros da economia brasileira deve voltar casa dos dois dgitos esta semana. O Comit de Poltica Monetria (Copom) do Banco Central, responsvel por fixar a Selic atualmente em 9,5% ao ano , se rene nesta tera e quarta-feiras (26 e 27) e a expectativa do mercado financeiro que a taxa suba 0,5 ponto percentual, para 10% ao ano. A deciso do Copom sobre a taxa ser anunciada pelo Banco Central na quarta-feira aps as 18h.
Caso a previso do mercado, captada por pesquisa realizada pela autoridade monetria na ltima semana com mais de 100 bancos, se confirme, os juros retornaro ao patamar de dois dgitos (acima de 10% ao ano), algo que no era registrado desde o incio de maro de 2012. A discusso sobre a capacidade de o Brasil ter uma taxa de juros abaixo de 10% ao ano permeou o debate econmico no passado.
A taxa, porm, foi atingida somente quando o BC afrouxou a poltica de juros para combater os efeitos da crise financeira em 2009, entre junho daquele ano e janeiro de 2010. Posteriormente, novamente por conta dos efeitos da segunda \"onda\" da crise financeira, os juros abaixo de 10% ao ano voltaram a ser registrados desde 7 maro de 2012. O Brasil um dos poucos pases que est subindo os juros neste ano.
A expectativa do mercado financeiro de que a alta dos juros, prevista para esta semana, no seja a ltima do governo Dilma Rousseff. A previso dos economistas dos bancos de que aconteam dois novos aumentos em 2014. Segundo a estimativa do mercado, os juros subiriam para 10,25% ao ano em janeiro do ano que vem, patamar no qual permaneceriam at dezembro de 2014 - quando avanariam para 10,50% ao ano. Com isso, os juros subiriam mais, visto que, antes, o mercado previa alta para 10,25% ao ano no prximo ano.
Metas de inflao
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pr-estabelecidas, tendo por base o ndice Nacional de Preos ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE).
Para 2013 e 2014, a meta central de inflao de 4,5%, com um intervalo de tolerncia de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem afirmado, porm, que a inflao teria queda neste ano frente ao patamar registrado em 2012 (5,84%) e novo recuo no ano de 2014.
Ao subir os juros neste momento, o Banco Central j est de olho no cenrio para o ano que vem. Segundo economistas, em 2014 haver uma presso maior sobre os chamados \"preos administrados\" (nibus interestaduais, energia eltrica, gua, planos de sade e telefonia, entre outros), visto que, neste ano, houve crescimento menor com a reteno de alguns reajustes como as tarifas de nibus. Outro componente que pode pressionar um pouco a inflao no fim deste ano e incio de 2014 o possvel aumento no preo da gasolina.
Discurso da presidente Dilma
A subida recente dos juros e o possvel retorno ao patamar de dois dgitos, nesta semana, segundo analistas, no est em consonncia com uma das principais marcas, at ento, do governo Dilma Rousseff na rea econmica.
Mesmo defendendo o controle da inflao, a presidente da Repblica destacou, por diversas oportunidades nos ltimos anos, a queda dos juros bsicos e tambm pressionou os bancos a reduzirem suas taxas ao consumidor.
H pouco mais de um ano, em agosto de 2012, quando a taxa fixada pelo Banco Central chegou a 7,5% ao ano, na ocasio a menor da histria, ela declarou que o governo criou \"ambiente para que a taxa de juros casse\". A queda foi possvel, segundo Dilma, devido a uma longa trajetria que vem de outros governos no sentido de buscar que o Brasil seja um pas que tenha capacidade de caminhar com seus prprios ps.
Antes disso, nas celebraes do Dia do Trabalho, no final de abril de 2012, a presidente cobrou reduo maior nas taxas de juros por parte dos bancos privados e classificou como \"inadmissvel\" que o Brasil, com \"um dos sistemas financeiros mais slidos e lucrativos\", continuasse com um dos \"juros mais altos do mundo\".
Em maio do ano passado, Dilma Rousseff voltou a defender a reduo dos juros no Brasil. \"Queremos um pas com taxas de juros compatveis com as praticadas no mercado internacional\", afirmou ela na ocasio.
J em maro deste ano, a presidente causou rudo nos mercados ao dizer, na frica do Sul, que no apoiava polticas de controle inflacionrio que sacrificassem o crescimento em um momento no qual o governo era pressionado pelos mercados para adotar polticas mais firmes em relao inflao.
\"Esse receiturio que quer matar o doente antes de curar a doena complicado. Eu vou acabar com o crescimento do pas? Isso da est datado. uma poltica superada\", disse ela na ocasio.
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